Quando menos sentimentos exaltados,
mais amor, união e durabilidade. O amor é um sentimento embaraçado nas raízes
fundas do sentimento.
Quem ama nem tem consciência dessas raízes.
Teme-as. Prefere não vê-las. Porque vê-las será revelar-se.
E revelar-se assusta.
O amor é também o sentimento misturado com rejeição,
raiva, irritação, convivência, desinteresse, tédio, o vazio a dois, o sumiço
da paixão e as emoções mais intensas.
Ele é tão grande, tão pleno, tão poderoso e incrível
que resiste a tudo isso, inclusive as impossibilidades,
estranho veneno que o alimenta. Mas isso é amor dodói.
Amor saudável é apenas bom.
Você não deixa de amar apenas porque já não gosta igual
ou não sente a mesma atração. Talvez só agora você comece a ficar maduro o
suficiente para poder começar a amar.
Pessoas que se atraem à perdição
talvez ainda nem começaram a se amar.
Enquanto apenas se atraírem, não alcançarão o amor.
Alcançar o amor tem tanto de
renúncia quanto de alegria,
felicidade ou glória. Sim, a felicidade pessoal é
compatível com o amor. Infelicidade, jamais. Mas amor é sério demais para
almejar apenas felicidade. O amor visa a
eternidade. A felicidade é apenas um caminho para ela.
Assim como é preciso alguma crueldade para viver.
Assim como há sempre alguma
agressão embrulhada em qualquer vitória, assim, também, a alegria precisa de
alguma inconseqüência. Sem esta, restará apenas a lucidez, que é sempre repleta
de ''trágicos deveres''. Libertando-nos da plena consciência, a
inconseqüência nos permite alguma alegria.