© Adalcinda Camarão

Membro da APL  Cadeira n° 17

 

 

Quero-te mesmo, amor, na ausência ou na presença,

com rumores de sombra, alarde ou desafios.

―Dormir num chão de luar à sombra de roseiras

ou sob os pirisais na baixada dos rios...

 

Assim te amo e te sei amando dia-a-dia,

acordada ou dormindo o germinal segredo.

E te abraço sem ter teu corpo ao meu, beijando

a saudade sem ser de quem se tem sem medo.

 

Amo-te mesmo, amor, no madrigal do tempo,

derrubando androceus e gineceus se amando

nas pálpebras do estio que o sono não acorda.

 

No teu dorso eu descanso a caminhada enorme

que fiz pra te encontrar ― lábios ardendo em busca

da tua noite azul onde minh'alma dorme.

 

Amo-te mesmo, amor. Se me vens ou te vais.

Sinto-te à flor da pele e à superfície da água

que dessedenta o bem que nos lava o mal.

 

Amo-te e não sei quem és ― teu nome nem origem.

Só sei que és homem são e me sabes mulher.

Que beleza este amor sem pranto nem vertigem,

sem princípio nem fim, nem dimensão sequer!

 

Autoria: Adalcinda Camarão

(Direitos autorais reservados a autora)

 

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