Blazer Executive 4.3 V6 automática (27/10/2007)
Eu sou um pouco exigente com carros, já tive um Tempra Turbo Stile e agora queria um carro mais robusto para enfrentar o buraco nosso de cada dia e que puxasse a carreta da minha lancha com desenvoltura.
Pré-requisitos:
ABS nas quatro rodas, motor de pelo menos 160cv, com curva de torque plana, sem correia dentada, silencioso, câmbio automático, vidros, travas e retrovisores elétricos, ar-condicionado e direção hidráulica, boa altura em relação ao solo e que aguente nossa buraqueira, além de puxar a carreta da minha lancha sem forçar o carro. Não me importo com ano ou com carros fora de linha, citarei o ano somente para referência. Valor até R$30000,00.
Os concorrentes:
Ford Explorer XLT 95-98: Muito bonito, porém a venda de peças da Ford em Manaus é péssima até para Fiesta que dirá para um carro importado... Há também a versão Limited V8, mas vai aguentar o consumo sem GNV.

Ford F-150 Lariat cabine estendida 97: É outra picape maravilhosa, gosto daquelas com interior marrom, tem os mesmos problemas da Dakota, aliados a peças ainda mais caras e difíceis de encontrar, especialmente em Manaus, o preço é realmente atrativo.
Ford Ranger Splash 95-97: A mais barata de todas, acabamento muito bom, e não é grande como a Dakota. Porém como as opções acima caem no problema da Ford em Manaus, falta de peças.
Jeep Grand Cherokee Laredo 95-98: Continua sendo minha escolha emocional, assim como a Dodge Dakota Sport, com motor 6 cilindros à gasolina. O acabamento Dodge/Jeep é muito superior e não tem aqueles grilinhos típicos de carros brasileiros. Porém as peças do Grand Cherokee são caras e difíceis de encontrar. Tem versão V8 na versão de topo Limited também, hehe. Mas aguentar a gasosa...

Dodge Dakota Sport V6 cabine estendida/dupla 99-01: Até que tem as peças baratas e não dá problemas constantemente, acabamento interno excelente e sem barulhos de qualquer tipo mesmo depois dos 100000km. Porém a Dakota, como toda picape tem um sério problema com bagagens, apesar de ter uma caçamba enorme, é complicado levar objetos de valor e que não podem ser molhados; neste caso tudo tem que ir dentro da cabine. O carro é muito grande para manobras de estacionamento, seus 5,5m não cabem em qualquer vaga. Odeio carros vermelhos, mas a Dakota vermelha é a mais bonita. A Dakota RT V8 é demais, apesar que a Sport é mais bonita com a grade cromada e sem os alargadores de pára-lamas. O estranho da Dakota nacional é que não tinha ABS integral sequer na versão V8 de 232cv! Se a Dodge tivesse fabricado o Durango ia ser perfeito para meu uso!
Chevrolet S-10/Blazer Executive V6 97-00: Tem as peças baratas e fáceis de encontrar. É a mais simples de todas as opções, apesar que o simples significa um carro superior a 90% dos carros brasileiros...
O escolhido:
O carro que escolhi é este, uma Chevrolet Blazer Executive 4.3 V6 2000, azul Darsena.


Blazer pagando o bandeco! Hehehe.

O seis bocas tem que compensar o consumo, não é mesmo?
Este é um utilitário muito bom, mas digo desde já que foi uma escolha técnica. Isto porque há utilitários superiores na mesma faixa de preço, porém a opção pela Blazer passa por questões racionais como facilidade para encontrar peças de reposição originais a um preço razoável, fora o bom conhecimento do carro por parte dos mecânicos. Além disso tudo, achar uma Blazer do jeito que eu queria antes das outras opções teve contribuição na compra...
A Blazer Executive vem com alguns itens de conforto e segurança de deixar para trás muitos carros ditos de luxo, bancos de couro, câmbio automático, bancos de couro, sendo o do motorista com acionamento elétrico, Air-bag para motorista e ABS nas quatro rodas, controlador de velocidade (vulgo "piloto automático"), além do básico: Vidros, travas e retrovisores elétricos, direção com assistência hidráulica e ar-condicionado. O painel é bem completo, com voltímetro e pressão do óleo, além dos quatro básicos; velocímetro, conta-giros, combustível e temperatura. Há um prático porta objetos abaixo do descansa braço central, com um inteligente porta-moedas, estranho ter espaço para guardar as arcaicas fitas K7...

Bancos de couro, câmbio automático, console central com porta-objetos...

...além do básico, travas, vidros e retrrovisores elétricos...

...ar-condicionado e direção hidráulica...
Enfim, um veículo muito luxuoso; porém continua sendo um utilitário, com deficiências inerentes a picapes médias/grandes: Estabilidade não é seu forte, apesar de no ano da minha terem acrescentado um quinto amortecedor, ligando o diferencial à longarina esquerda. Assim como os freios, que superaquecem facilmente. A minha tem ABS nas quatro rodas, isto ajuda muito no controle em frenagens de emergência, porém ABS nunca evitou fading, portanto espere que após uma freada máxima de 140km/h a 0 km/h seu freio irá ficar vários minutos quase sem ação. A suspensão na estrada é muito boa, mas incomoda na buraqueira do dia-a-dia em baixas velocidades, nisto a Dakota ganha de 10 a 2.
O porta-malas é muito grande, especialmente com os bancos traseiros rebatidos, vira um grande furgão. Há também um console no teto, com porta-óculos, porta-carteira e um inteligente botão para ser usado para comando de portões eletrônicos, espelhos nos pára-sóis de ambos lados com iluminação.

Porta-malas com o banco rebatido. Bom espaço.

A tampa do porta-malas é uma prática cortina. Há ganchos para amarração de cargas no porta-malas.

Pára-sol com espelho e iluminação, minha esposa adora. Eu achava meio gay até que caiu um mosquito no meu olho de noite...

Rodas da Blazer Executive.
O Motor:
O motor é um fabuloso seis cilindros em V, 4.3 litros, comando de válvulas no bloco, 2 válvulas por cilindro, taxa de compressão 9,2:1. Potência máxima de 180cv a 4200 rpm e torque máximo 34,7 kgf.m de torque a apenas 2600 rpm. Tendo curva de torque plana e números surpreendentes de potência a baixas rotações, como 42 cv a 1000 rpm e 70cv a 1500 rpm, este motor tem funcionamento suave e silencioso e consegue levar as 2 toneladas da imobilidade aos 100 km/h em apenas 11,9 segundos (com câmbio automático). Devido aos pneus de perfil S, velocidade máxima limitada a 180 km/h eletronicamente, este dispositivo poderia atuar de modo mais suave.
O bom deste motor é o desempenho em subidas com o carro carregado, simplesmente as ignora. Sim, este motor tem tecnologia ultrapassada, mas o prazer de dirigir um carro com motor das antigas é indescritível, nada de retardos na resposta ou falta de torque em baixas rotações. Mesmo com câmbio automático o desempenho é excelente, anda bem menos que meu antigo Tempra Turbo, porém é mais fácil de dirigir.

Motorzão V6, ronco suave de motor das antigas.
O preço disto é um consumo de combustível em torno de 4,5 km/l no percurso urbano com engarrafamentos e consumo na estrada em torno de 6,5 km/l, quando usando alegremente a potência do motor. A peça que fica entre o volante e o banco também não contribui para um consumo menos pior, mas enfim, cavalo que corre bebe! Como diria um colega meu, quando se acelera a fundo é possível ouvir o combustível fluindo pela tubulação! Haha!
O câmbio é um tradicional automático de quatro marchas, sem programas alternativos, mas com funcionamento suave.
Algumas características estranhas:
O ABS nas quatro rodas é de três canais (alguém aqui fez aulas de matemática?), a GM aproveitou o indecente e inútil ABS somente nas rodas traseiras de um canal na versão de ABS integral. Cada roda dianteira tem seu próprio canal de ABS, enquanto as duas traseiras compartilham um único canal. Até que funciona de modo satisfatório, porém poderia ser bem melhor. Outra indecência é o uso do arcaico tambor de freio na traseira, caro de produzir e manter, além de ser ineficiente, bom somente para o freio de estacionamento.
O farol de neblina acende junto com o farol baixo, deveria acender junto com o farolete.
A GM ainda economizou em bobagens, como a falta do comando elétrico para regulagem do encosto do banco do motorista, iluminação interna e vidros elétricos sem temporizador, vidro elétrico somente com automatização para descida do vidro do motorista. Parece que a GM não previa que haveria uma versão automática, pois não há indicador de marchas no painel. Também não há luz de advertência para pouco combustível, apesar de existir o espaço para luz piloto no painel, da mesma forma, a luz piloto de neblina existe no painel, porém utilizaram um led no interruptor do referido painel.
A questão dos vidros elétricos resolvi com a instalação de dois módulos Positron SW422, agora há temporizador de um minuto, todos os vidros sobem e descem com um toque (na porta do motorista), além de subirem quando o alarme é acionado.
Diesel x Gasolina
Muitos me chamam de louco por comprar um carro com motor V6 a gasolina. Mas além de rodar pouco, odeio o barulho, trepidação e desempenho dos motores Diesel, mesmo os novos de automóveis como Mercedes série E. É lógico que não há comparação com o barulho e trepidação dos motores Perkins das primeiras D-20 com o motor Detroit da Dakota, mas mesmo assim, não há como comparar com a suavidade e desempenho de um bom motor a gasolina.
Motores a Diesel compensam financeiramente para quem roda muito, pois os veículos equipados com este motor custam muito mais e o Diesel está apenas R$0,50 mais barato que a gasolina, resultado, para quem roda menos de 10000km por ano, a diferença paga no carro é compensada no combustível ao longo de pelo menos 5 anos. É óbvio que é tentador um veículo de 2 toneladas que faz 9 km/l na cidade usando um combustível que custa menos. Outro detalhe, os motores Diesel duram mais, porém se houver algum problema com bomba injetora, prepare o bolso... Se for optar por Diesel, tudo bem, mas esteja ciente das desvantagens.
Um exemplo: Uma Blazer DLX 2.8 (MWM) Turbo-Diesel 2000 custa, em Manaus, no mínimo R$15000,00 a mais que uma Executive V6 automática de mesmo ano.
Comparando os dois carros, considerando o consumo de cidade de 9km/l para a diesel e 4,5km/l na V6 gasolina, calculamos os seguintes (exorbitantes) gastos para quem roda 15000km por ano aos preços: Diesel: R$2,00/l, gasolina R$2,54,00/l:
1 ano 3 anos
Diesel: R$3333,30 R$10000,00
Gasolina: R$8466,70 R$25400,00
Ou seja, precisará de três longos anos para o gasto com o carro a gasolina ultrapassar o gasto com o veículo diesel. Para quem roda pouco como eu, cerca de 8000km por ano, precisaria de cerca de 5,5 anos para o diesel começar a ser uma economia. Óbvio que este é um cálculo bem simplificado, mas serve para dar uma noção.
Observações: Os preços de ambos modelos já estão estabilizados e caem pouco. Na versão a diesel deste ano, se perderia itens presentes na Executive V6, como ABS nas quatro-rodas, air-bag do motorista, bancos de couro, controlador de velocidade (piloto automático), câmbio automático, acabamento imitando madeira, além de ficar com um motor com quase 50cv a menos, vibrante e barulhento. Neste exemplo eu não estou considerando a alternativa do GNV.