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"Falar sobre Djalma Batista é um privilégio a que nada pode resistir, especialmente quem ele conviveu tantos anos e cuja amizade foi entrelaçada pela figura veneranda de seu pai, Dr. Gualter Marques Batista. Por mais que se diga a seu respeito, sempre será pouco, pois Djalma foi uma figura exponencial(...) (...) Tornam-se difíceis, neste mundo perfunctório, as duas faces de sua personalidade: a de cientista e o do homem de letras e de cultura, pois seus trabalhos em ambas as alturas evidenciam a dimensão de seu cérebro(...) (...) Alicerçado nas leituras constantes que fazia diuturnamente, atingiu alturas onde seu pensamento multiforme navegava à vontade, penetrando com profundidade na essência da inteligência universal(...) (...) Cedo compenetrou-se de que a cultura não tem um só segmento e se expande por todas as esquinas onde o homem possa entrar. Viu que ela movimenta nos espaços da mente, conforme a inclinação de cada um, permitindo a acumulação de largo cabedal de conhecimentos, abrangendo métodos filosóficos dos quais se derivam as vias de acesso à interpretação dos fenômenos sociais(...) (...) Estudioso permanente, teve ele a excepcional qualidade e capacidade para criar condições visando à solução dos problemas amazônicos(...) (...) Sempre pensou com amplitude, pois seu mundo interior era grande e se posicionou na postura humanista, no entendimento de que o humanismo é o composto do saber humano em sua valoração intelectual(...) (...) Em sua decorrência de sua projeção cultural, que lhe proporcionou o ingresso na seara literária, foi buscado pela Academia Amazonense de Letras, motivida pela grandeza de sua atividade intelectual e desde então passou a pontificar, a partir de seu discurso de posse, onde revelou, mais uma vez a transcendência de seus trabalho para a "Revista" da Casa, que se tornou o cofre sagrado de sua estrutura mental(...) (...) Djalma jamais deixou de escrever e se mantinha atualizado na literatura nacional e estrangeira. Mas não descurou dos problemas locais e se demorou na apreciação da realidade amazonense, tendo ensejo de indagar sobre o assunto em três artigos sobre a "Cultura Amazônica" e neles versou em tornao da estrutura da intelectualidade na região, tanto no Estado, como no Pará e no Acre(...) (...) Designado para receber Thiago de Mello na Academia, sua oração é peça lindamente burilada e raramente igualada. Estabeleceu comparativo entre a Medicina, que professava com maestria e a Poesia, significativa do ingressante, salientando que a ciência existe em todos os ramos do conhecimento, por ser a mãe do progresso que, à sua vez, é um dos elementos integradores da civilização(...) (...) Quando ainda não se falava em Ecologia, Djalma já salientava a importância do assunto já em 1963, fornecendo noções gerais sobre o tema em relação ao homem e à região amazônica(...) (...) Sua contribuição à cultura do Amazonas tem gamas variadas, não só na beleza de sua forma de escrever, como pela exaltação das coisas e homens de sua vivência(...) (...) Brilhante sempre foi em sua atuação. Modesto em seu saber, humilde no expor seus pontos de vista. Dedicado ao estudo constante. Bom no sentido mais puro da palavra. Djalma da Cunha Batista foi cientista, pesquisador, escritor literato e acima de tudo, homem de profunda cultura(...)" (Trechos da palestra do Desembargador Oyama César Ituassú, proferida em 15.02.96, no ISAE). |
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